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terça-feira, 25 de abril de 2017

Heróis Desconhecidos.

(Porto da Areia Sul)

Ainda existem heróis. Sim existem mas em pequena escala, infelizmente, e não são os que aparecem na televisão (futebolistas, actores e por aí alem), esses recebem muito para o que fazem. Heróis são aqueles que sem protagonismo ou pagamento de qualquer espécie o fazem de alma sem esperar nada em troca, a não ser preencher a sua vida com actos meritórios e satisfação e tentar melhorar a vida dos outros.

Este post é um reconhecimento da minha parte de dois desses heróis desconhecidos. À cerca de dois dias desloquei-me logo de manhã ao Hospital Veterinário do Oeste, infelizmente havia acontecido com um dos meus um acidente que se veio a revelar-se fatal. Mas tal como eu encontrava-se um pai e filho, residentes na zona de Torres Vedras, nesse hospital. Tinham ido para a pesca para Peniche durante a noite, e no carreiro da Furninha começaram a ouvir um ganir no meio das pedras. Deparam-se com uma cadelinha branquinha muito jovem.

Se fossem como uma parte dos humanos, simplesmente a deixavam lá, se fossem como uma grande maioria tentavam logo passar o problema a outros (Câmara e Policias) e diziam para si "já fizemos o que nos competia, somos mesmo defensores dos animais", colocavam fotos no facebook a criticar quem a tinha abandonado e vangloriavam-se do seu amor pelos animais. 

Mas afinal não eram nenhuns dos humanos atrás referidos. Eram para mim daqueles humanos que os considero heróis. Simplesmente agarraram no animal, trataram-na o melhor que podiam e foram eles mesmo ao Hospital. Infelizmente a cadelinha tinha os pulmões cheios de água e mesmo após tentativas de reanimação acabou por falecer. Os heróis acabaram por pagar a factura do Hospital e demonstraram o amor por um animal que nem era deles. Estes sim são heróis, pelo menos para mim são.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Peniche em 1438.


Num livro de Mariano Calado:

"11 de Junho de 1438 - Carta de Privilégio de D. Duarte de isentar de todos os encargos e servidões uma barca de pesca e o respectivo arrais e outro homem por ele nomeado, sob condição de, pelo menos um dos dois, viver na Atouguia, em Peniche ou Porto Pim e servir de piloto aos navios nacionais e estrangeiros que ao porto quisessem acolher-se."

Porto Pim??? Após uma procura existe é um Porto Pim nos Açores e este junto a Peniche seria onde???



domingo, 22 de novembro de 2015

Adágios Marítimos.



- Se ouvires roncar o mar, deixa os outros embarcar.
- Quando ao marinheiro dão de beber, ou já está moído ou o vão moer.
- Miragem que espante, vento de levante.
- Grande nau grande tormenta.
- Nascente anuviado antes do sol nado, sinal é de que o dia será molhado.
- Se ao vale a névoa baixar, vai para o mar; mas, se pelos montes se atrasa, fica em casa.
- Névoa em setembro traz sul no ventre.
- Névoa no verão, norte na mão.
- Depois de chuva, nevoeiro terás bom tempo, marinheiro.
- Se de dia o nordeste sopra com alma, chegada a noite quase sempre calma.
- Foi-se o nordeste, turvou-se o azul, fugiu do norte, foi para o sul.
- Nordeste molhado, não te dê cuidado.
- Nordeste anoitecido, vendaval amanhecido.
- Nuvem cumprida que se desfia é sinal de grande ventania.
- Nuvens aos pares, paradas, cor de cobre, é temporal, que se descobre.
- Pescador de cana come mais do que ganha.
- Pescador que não se molha não comerá muita solha.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Rei nas Berlengas.

Quadro de José Malhoa

No ano de 1886 a Berlenga teve uma grande visita. Essa visita foi feita pelo príncipe real de Portugal D. Carlos I que mais tarde viria a ser coroado rei.

Na comunicação social de então foi noticiado que o príncipe foi às Berlengas para pescar e caçar. refere ainda que parte da ilha se encontrava plantada, existiam duas fontes de água fresquíssima, uma na praia da fortaleza e uma no carreiro. Nesse ano ainda existiam as ruínas do convento assim como a  existência de uma gruta onde os frades se colocavam de vigia para avistar a presença de navios de mouros. Refere ainda que a fortaleza encontrava-se guarnecida com cinco praças (militares) reformados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Desaparecimento de uma espécie.



Era uma vez uma espécie. Durante anos essa espécie foi capturada e alimentou muita gente, mas um dia ela começou a escassear. Como em todos os negócios a escassez levou ao aumento do preço, levando os seus captores a ganhar muito mais que estavam habituados. Devido ao aumento do preço o esforço de pesca não abrandou e o que aconteceu? Desapareceram...

Será que estarei a falar da sardinha ou da lagosta de Peniche. A história serve para tirarmos ensinamentos mas parece que nunca aprendemos.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Escassez de Sardinha.


Noticia do ano de 1894 informando da falta de sardinha na zona de Faro. Passou mais de um século e onde é que ouvi isto??

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Arte do Cerco nos anos 60.

(Arte do Cerco)

No ano de 1965 Peniche era o segundo porto de pesca português com mais traineiras de grande porte apenas atrás de Matosinhos. Em Peniche existiam 58 artes do cerco atribuídas, Matosinhos 76 e em terceiro a localidade de Portimão com 49 artes atribuídas.

Listagem dos portos principais:

. Matosinhos - 76
. Peniche - 58
. Portimão - 49
. Setúbal - 34
. Douro - 29
. Figueira da Foz - 23
. Vila do Conde - 22
. Aveiro - 20
. Sesimbra - 19
. Lagos - 14
. Olhão - 14
. Vila Real de Santo António - 14

Pena que o investimento nas respectivas localidades não tenha sido proporcional conforme a importância do porto.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Armações de Pesca.

(1897)

No ano de 1889 dá-se em Peniche uma manifestação da população. O pretendido passava por ser autorizada a colocação de armações na Berlenga e Farilhão. Juntam-se mais de 2000 manifestantes.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Embarcações Matriculadas em Lisboa no ano de 1879.

(1880s)

Para termos noção dos números e tipos de embarcações que estavam matriculadas na Capitania do Porto de Lisboa no ano de 1879, num total de 1860 embarcações:

- Varinos de duas prôas e popa descoberta - 487
- Botes catraios e cacilheiros - 447
- Fragatas - 221
- Saveiros de pesca - 1160
- Meias fragatas - 144
- Canoas de pesca - 1160
- Caíques carregadores e de pesca - 86
- Enviadas - 70
- Botes de água acima - 26
- Barcos de moinhos - 24
- Faluas - 20
- Meias luas - 19
- Vapores - 13
- Iates - 12
- Povoeiras de pesca - 3
- Bateiras - 3

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Pesca com Explosivos.


No ano de 1884 Portugal decreta sob sanção penal a proibição de pesca com uso de dinamite ou de quaisquer outras matérias explosivas. Mesmo assim esta prática manteve-se durante anos... inclusive em Peniche.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Os pescadores e o mar revolto - estanhada.


No século XIX os pescadores tinham alguns conhecimentos possivelmente hoje esquecidos tendo mesmo sido inventados aparelhos que hoje não existem.

No ano de 1884 foi inventado um aparelho que lançava de bordo das embarcações quantidades de azeite que fazia cessar a agitação marítima. Também os pescadores muitas vezes lançavam a partir da popa quantidades que faziam com que as ondas não partissem nas embarcações. Uma só gota de azeite ou qualquer outra matéria oleosa no mar alastra tomando alguns metros de largura deixando uma superfície lisa evitando a rebentação das ondas.

Os marítimos chamavam a esta operação a estanhada.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Remadores de Peniche.

(Galeota Real no ano de 1899)

Os pescadores de Peniche sempre foram os campeões dos campeões da pesca em Portugal.

Em anos findos todas as terras portuguesas tinham que fornecer homens para servir nas forças armadas e Peniche não era diferente.
Podemos analisar que os proveitos (impostos) para a coroa portuguesa eram tão grandes que no ano de 1367 a coroa preferia receber parte do pescado apanhado do que incorporar nas fileiras militares de Peniche. 
D. Fernando naquele ano isenta assim os moradores de Peniche de servirem nas fileiras como remadores da coroa desde que pagassem uma vintena de todo o pescado que apanhassem.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Jaquinzinhos apreendidos no Porto de Pesca.


O dinheiro e ganância continua a mandar neste mundo. A apreensão de carapau com medida pouco maior que uma "pen drive" num armazém de Peniche no mês passado, veio mostrar que mesmo com educação e explicando o porquê de protegermos o que é nosso de nada serve.

Os 80 quilogramas de carapaus com  pouco mais de 5 centímetros foram apreendidos e doados a instituições de solidariedade pela Polícia Marítima de Peniche.

Todos podemos tentar acabar com este flagelo, basta não comprar... embora saibam muito bem.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

As melhores traineiras de Dezembro de 1974.

(Molhe Oeste do Porto de Peniche)

Os ganhos das traineiras de Peniche no mês de Dezembro de 1974 apresentaram mais de 6.000 contos (30.000 euros), sendo que os maiores ganhos vieram da apanha da sardinha com 930 toneladas de pescado capturado:

Reliquia - 3900 Euros;
Fé - 3700 Euros;
Boa Pesca - 2680 Euros;
Audaciosa - 2400 Euros;
Sereia do Mar - 2340 Euros;

Sabendo que o ordenado mínimo nacional correspondia a pouco mais que 15 euros, cada embarcação possuía cerca de 24 trabalhadores, um carro custava 300 euros, o mês de Dezembro costuma ser fraco... atrevo-me a dizer que as coisas não andavam mal...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Avenida do Mar.


Um amigo fez-me chegar uma fotografia. Presumo que a mesma seja da Avenida do Mar, apontando pelas suas características que a mesma tenha sido tirada entre 1934 e 1950. Alguém faz ideia?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Descrição das Barracas de Peniche.





Com base numa mensagem anterior sobre as barracas de Peniche, uma breve descrição destas habitações que foram elevadas em Peniche de Cima, num terreno baldio onde por vezes chegava a maré.

As barracas serviam de residência ou depósito de peixe, assente em alvenaria ou cimento, sendo estas compreendidas por três tipos:

- Em 1910 foram construídas duas barracas em cima de rodas de peças de artilharia, que foram compradas à fortaleza, para o caso de a maré chegar muito perto estas barracas poderem ser movidas pela força dos homens. Estas barracas ainda existiam em 1931;

- Como não podiam fazer as barracas sem licenciamento foram feitas algumas barracas em cima de embarcações - 1910;

- Barracas assentes em estacas, a cerca de 1 metro do chão para evitar que as águas das chuvas apodrecessem o chão. A entrada era realizada por uma tábua com ripas transversais para não se escorregar. No ano de 1934 ainda existiam algumas barracas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Barracas em Peniche.

(Barracas em Peniche de Cima no primeiro quartel do Século XX)
 
Devido ao desenvolvimento da pesca e industria conserveira começa a afluir muita gentes à vila de  Peniche. Por falta de habitações começam a ser construídas muitas barracas.
 
Em 1933 durante os festejos do Carnaval e devido a estas construções cantavam-se os seguintes versos:
 
Não vás à barraca,
Nem ao barracão:
O comboio apita
Debaixo do chão.
 
Debaixo do chão
É que ele apitou:
Não vás à barraca
Que eu também não vou.
 
Debaixo do chão,
Por cima da linha:
Não vás à barraca
Nem à barraquinha.